
A secretária de educação começou um processo para acabar com o problema de falta de professores na escola. O solução atende pelo nome de PLANO DE ESTUDO.
Funciona da seguinte maneira: turmas que ficaram o ano inteiro sem professor das mais diversas disciplinas recebem, no quarto bimestre, uma folha contendo alguns temas e um trabalho da matéria sem professor. O aluno faz o trabalho e, numa avaliação bem criteriosa, é decidido se o mesmo tem, ou não, condição de passar para o próximo ano.
O estabelecimento do Plano de Estudo é primo direto do “me engana que eu gosto”e irmão da “dependência”. É um exemplo como a secretaria estadual de educação esconde, com a omissão de diretores, professores, pais de alunos, os seus erros e sua incapacidade de levar a educação à sério.
Por que somos tão omissos em relação à educação? Os acontecimentos ocorridos em 2010, como o péssimo resultado da educação do estado do RJ no IDEB, não acenderam nenhuma luz vermelha. É difícil acreditar que um governante que tenha obtido tal resultado tenha sido re-eleito com a votação tão extraordinária como aconteceu com o governador Sergio Cabral.
O mal estar com a educação também pose sentida no nosso município. Em recente entrevista ao Jornal Local, a ex-coordenadora de ensino do Médio Paraíba I, a professora Vivili, divulgou que estava no cargo graças a ação do deputado estadual Edson Albertassi. Deputado que não tem nenhuma formação acadêmica na área educacional e nenhum vínculo com os profissionais da educação. A educação, no Estado do Rio de Janeiro, tornou-se um poderoso instrumento de loteamento político. Ao mesmo tempo em que a educação se torna um cabide de empregos, ela saiu da lista de prioridades das pessoas. Vamos ao exemplo:
Não é difícil perceber que o PLANO DE ESTUDO serve para passar todos os alunos. Apesar de achar o plano ridículo, podemos fazer vários raciocínios:
- Das pessoas que colocaram seus filhos em escola particular: “Sempre foi assim, eu não deixo meu filho depender desses políticos pilantras.”
- Das pessoas que possuem filhos na escola pública: “Eu trabalho o dia inteiro. Eu nem sei quem são os professores do meu filho. Como vou saber se meu filho tem aula com todos os professores”
- Dos professores: “É tudo uma safadeza, mas sigo ordens da direção da escola”
- Da direção da escola: “Eu sigo ordens da secretaria de educação”
Os 4 tipos de raciocínio partem do mesmo princípio: o interesse individual. Da classe média que abandonou a escola pública, da família que acha que só precisa colocar o filho na escola, dos professores que esqueceram que são professores, e não soldados para cumprir ordens, da direção cooptada pelos benefícios materiais do cargo. Será que Adam Smith estava correto? Será que a soma dos interesses individuais produz o interesse coletivo? Na educação parece que não.
3 comentários
É, meu amigo, só nos resta apelar para as bençãos do Padre Fábio de Mello. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Vamos marcar o show com o patrocínio da escola!
Bordoadas de Bourdieu nesse sistema educacional falido? Não faça isso! Precisamos das migalhas pois somos todos pombos imundos a arulhar para nossos alunos incrédulos.
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